Grupos de trabalho / Medicamentos e Saúde Pública

Ao abordarmos a problemática da segurança do doente na área do medicamento, não nos devemos focar somente no medicamento, na sua utilização ou nos profissionais que desempenham atividades no circuito do medicamento, mas sim perceber a envolvente, a complexidade e a multidisciplinariedade intrínseca a todo o processo de gestão da medicação. Isto significa que o nosso ângulo de observação deve ser o mais alargado possível, no sentido de captar todas as condicionantes que intervêm na utilização deste poderoso instrumento de saúde pública que é o medicamento.

A perspetiva de análise global e sistémica de toda a envolvente da utilização do medicamento impõe-se por externalidades que nos escapam numa primeira análise, mas que contribuem para esta mesma problemática. Referimo-nos em concreto a fatores como: a melhoria das condições de vida dos cidadãos, o aumento da esperança média de vida e o consequente envelhecimento da população, o aumento de patologias relacionadas com a idade (doenças cardiovasculares, AVC, Pneumonias, Osteoporoses e Osteoartroses, Cancro e Diabetes), a cronicidade de algumas doenças (VIH/SIDA, Diabetes, Demências, Cancro), a complexidade das terapêuticas atuais (medicamentos de biotecnologia, terapia génica, nanotecnologia, etc.), o custo crescente dos tratamentos (VIH/SIDA, Cancro, Hepatite C), o doente com multimorbilidades e polimedicado, os riscos associados às reações adversas e interações medicamento-medicamento e medicamento-alimento, entre outros.

Acresce a esta problemática, o facto de o medicamento se constituir hoje como uma tecnologia da saúde complexa, utilizada no ato de cuidar em saúde, compartilhada por diferentes e diversos atores, onde cada doente e cada profissional adicionam características próprias ao sistema, complexificando-o.

É, pois, com este quadro de fundo que, a problemática da segurança do doente associada em particular á segurança da medicação, deve ser analisada com vista a implementar ao longo do processo de utilização estratégias que promovam o uso racional e seguro do medicamento.

Assim, o objetivo principal deste Grupo de Trabalho é interagir, trocar informações e conhecimentos, sensibilizar, mobilizar e debater sobre temas e aspetos específicos de interesse e importância relacionados com os múltiplos papéis do medicamento na saúde pública. Pretende-se a participação dos diferentes intervenientes no processo de utilização dos medicamentos: doentes, profissionais de saúde, indústria farmacêutica, decisores políticos e demais interessados, que subsidiem a proposição e a elaboração de medidas de apoio ao desenvolvimento e difusão das melhores práticas em saúde tendentes à efetiva segurança do doente.

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