Pontos de Vista e Editoriais / Automedicação

A automedicação tem sofrido marcadas alterações ao longo das últimas décadas, e com a evolução da acessibilidade ao medicamento, nos anos 1970 e 1980, ela generalizou-se, passando a ser considerada parte integrante do autocuidado em saúde – ato independente de prevenção, diagnóstico e tratamento das próprias doenças sem aconselhamento profissional.

Verifica-se atualmente uma tendência em países desenvolvidos para alargar as fronteiras da automedicação a doenças crónicas, havendo considerável número de medicamentos que em Portugal são sujeitos a receita médica, mas que não necessitam de prescrição noutros países com idêntico desenvolvimento humano.

Segundo o INFARMED a utilização de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM), para alívio ou supressão de algumas queixas de saúde passageiras e sem gravidade é hoje uma prática integrante do sistema de saúde. Esta acção enquadra-se numa tendência geral de crescimento da responsabilidade individual na manutenção da sua própria saúde. Na ausência de consulta prévia do médico, o consumidor deve tomar consciência de que o seu acto é sempre susceptível de gerar riscos. Os riscos são atenuados sempre que seguir as informações contidas no folheto informativo ou prestadas pelo farmacêutico. Por isso, a prática da Automedicação, terá que estar limitada a situações clínicas bem definidas e deve ser levada a cabo de acordo com as especificações estabelecidas para os MNSRM. O controlo da qualidade, segurança e eficácia destes medicamentos é assegurado pelo INFARMED, I.P.,enquanto autoridade reguladora do medicamento e dos produtos de saúde.

A utilização de MNSRM deverá ser limitada no tempo e de acordo com as informações veiculadas no folheto informativo. Não é recomendada em bebés, nem durante a gravidez e o aleitamento. A compra de medicamentos através da Internet para efeitos da automedicação deverá ser feita apenas através dos sítios registados em www.infarmed.pt.

No decurso da Automedicação deverá consultar o seu médico ou aconselhar-se com o seu farmacêutico nos seguintes casos:

  1.   Se os sintomas persistirem (ex: febre com mais de 3 dias);
  2.   Se os sintomas se agravarem ou em caso de recaída;
  3.   Se existir dor aguda;
  4.   Se após a utilização de medicamentos, sem resultado;
  5.   Se surgirem efeitos ou reacções adversas;
  6.   Sempre que suspeite de uma situação grave;
  7.   Se sofrer de outras patologias;
  8.   Se estiver a utilizar outros medicamentos.

A Automedicação pode traduzir-se em benefícios quer para o indivíduo, quer para a sociedade e exige uma partilha de responsabilidades, tendo cada parceiro um papel importante a desempenhar (autoridades de saúde, profissionais de saúde, indústria e consumidores).

De acordo com o Despacho n.º 17690/ 2007 de 23 de Julho, os medicamentos que aparecem como alvos principais da automedicação estão destinados a combater várias situações clínicas de escassa gravidade, tendo vantagens e desvantagens. Por isso, existem regras para um uso correcto dos medicamentos e os perigos da automedicação.

Síntese elaborada por Manuel Cardoso de Oliveira

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