Grupos de trabalho / Grupos de Trabalho

A Drª Filomena Girão foi nomeada coordenadora do Corpo Consultivo da APASD.

Os grupos de trabalho e seus coordenadores passaram a ser: Isabel Patim (Arte, saúde e criatividade) • Tiago Taveira (Medicina e novas tecnologias) • Rute Meneses (Educação e aconselhamento para o lazer) • Manuel Cardoso de Oliveira (Cuidados de saúde centrados na pessoa) • Filomena Girão (Direito da Saúde) • Rui Cruz (Medicamentos e Saúde Pública) • Grupo de Enfermagem (Segurança dos Doentes)  • Isabel Silva, Glória Jolluskin, Augusta Silveira e Teresa Sequeira (Intervenção Comunitária, Qualidade de Vida e Educação para a Saúde) •  Cristina Amaral (Interação com a comunidade)

Arte, saúde e criatividade

O relacionamento da Arte com a Saúde e a Criatividade constitui um espaço multidisciplinar em que todos se potenciam, contribuindo para uma maior compreensão da vida nas suas diversas dimensões e, assim, aproximando as Ciências Humanas e Sociais da Medicina e da Educação.

Cuidados de Saúde centrados nas pessoas

Os cuidados de saúde centrados nas pessoas constituem uma nova maneira de pensar e actuar na prática clínica, tendo sempre presente que os doentes são pessoas. Trata-se de uma nova filosofia e de um método que permitem que os avanços tecnológicos e biomédicos sejam usados nos doentes num contexto humano que corresponde às suas necessidades físicas, emocionais, espirituais e sociais.

Educação e aconselhamento para o lazer

A visão holística, baseada no modelo biopsicossocial, requer que os indivíduos e grupos sejam considerados de modo compreensivo. Ora, o tempo e as actividades de lazer, muitas vezes descurados pelos profissionais de saúde, podem ter um impacto significativo sobre o estado de saúde dos indivíduos. De facto, a investigação (internacional) tem mostrado que a educação e aconselhamento para o lazer podem ser essenciais no âmbito da promoção da saúde, prevenção e recuperação de doenças, bem como para a segurança dos indivíduos (doentes e saudáveis).

Tecnologia e Saúde

O grupo da tecnologia e saúde tem como objetivo refletir sobre as implicações das tecnologias digitais em todo o espectro da saúde, desde o bem-estar, prevenção da doença crónica até aos tratamentos hospitalares especializados e a medicina personalizada. Tem como aspeto central o acompanhamento da inteligência artificial no processo de decisão, focando as suas potencialidades, os dilemas éticos e as transformações que possa desencadear tanto nos sistemas de saúde como na prestação de cuidados.

Notícias / Conferência Internacional “Cuidados de Saúde Centrados nas Pessoas”

Os doentes apresentam-se, não como um mero conjunto de sistemas orgânicos, dos quais um ou mais exigem intervenções da medicina científica, mas como seres humanos integrais, com narrativas, preferências, valores, psicologia e necessidades sociais. A medicina científica só pode satisfazer uma parte destas exigências, pelo que precisamos de implementar sistemas de saúde abrangentes, que contemplem todos aqueles aspectos, devidamente interiorizados e treinados desde os períodos de formação.

Os cuidados de saúde centrados nas pessoas constituem uma nova maneira de “pensar e actuar” na prática clínica, tendo sempre presente que os doentes são pessoas. Trata-se duma filosofia e dum método que permitem que os avanços tecnológicos e biomédicos sejam utilizados nos doentes num contexto humano que responda às suas necessidades físicas, emocionais, espirituais e sociais.

Este congresso conta com a participação de autoridades nacionais e internacionais nas áreas em discussão, podendo as comunicações e posters seleccionados ser publicados no European Journal for Person-Centered Healthcare.

A Associação Para A Segurança dos Doentes (APASD), o Conselho Regional Norte da Ordem dos Médicos e a European Society for Person Centered Healthcare agradecem a participação de todos, desejando que o congresso cumpra todas as suas e vossas expectativas.

Mais informação em: https://personcenteredhealthcare-porto-2019.eventqualia.net

Uncategorized / A DOENÇA É UM SUICÍDIO PARCELAR

O ser humano sabe que existe e que funciona (sente-se, palpa-se, move-se), num corpo impregnado de subjectividade.

Tem consciência de si, reconhece-se no nome que lhe puseram.

Sabe que existir é temporizar, no silencioso prazer de funcionar.

 

“Eterno” até à secagem do planeta, também sabe que em si mesmo contém um precioso arquivo de histórias, memórias e singularidades emocionais, entrelaçadas num sentimento de continuidade a que chamo:

“Sentimento de percurso”.  

 

Separar o corpo da mente é tão absurdo como separar o oxigénio do hidrogénio na composição da água.

Será impossível fazê-lo.

Seria desfazer quem somos e o que somos.

 

Há marcadas resistências na ultrapassagem do dualismo corpo/mente.

Nem dispomos de instrumentos ou de palavras certas para o fazer.

Falta-nos o que habitualmente assinalo como:

“O Passo-do-índio”.

 

Excluir a subjectividade no corpo será:

estudar o ouvido pensando descobrir a musicalidade do portador

estudar os genitais pensando descobrir a sexualidade da pessoa

estudar o estômago pensando descobrir as gastralgias dum indivíduo mal disposto.

 

A capacidade de pensar pertence à pessoa, não ao cérebro, mesmo que este seja indispensável suporte de quanto na mente se passa.

É a pessoa que dá expressão ao seu cérebro durante o crescimento (ligações, neuroplasticidade), não o cérebro que dá expressão à pessoa.

 

Reconhecendo que não precisaremos de estar doentes para morrer, quando falamos de vulnerabilidades e de doenças de que estaremos então a falar?

De que funcionamentos estaremos a falar?

 

Doenças auto-imunes, reumatologias, cancros, depressões, alergias, “psicotizações” da imagem do corpo (anorexias mentais, transexualidades) e muitas outras doenças de prevalência crescente… não são desgastes nem agressões. Resultam da interioridade.

Resultam, em grande parte, da tentativa de eliminação do tempo interno e da negação da subjectividade que a cultura ferozmente pretende impor. São um preço a pagar, em minha opinião.

Na sua zona íntima frequentemente observo constelações depressivas e tortuosos caminhos de autodestruição.

Apelido-as por isso de: “suicídios parcelares”.

 

Nascidos prematuros, os seres humanos desenvolvem-se numa progressiva escala de necessidades.

Descalços, desprotegidos, desassossegados, apenas sobrevivem através de adequados  suportes afectivos e de comensalidades alimentares, pelo que se obrigam a simbolizar, adiar, mentir e mentalmente representar o objecto protector (tornando-o presente, mesmo na sua ausência), em construções cada vez mais elaboradas.

 

Distinguir medo e desejo, realidade e fantasia, bonito e feio, bom e mau, moral e imoral, são aquisições naturais do crescimento.

Precedendo tudo isso, há uma fundamental inerência da condição humana a que chamo:  

“Misteriosidade”

vivificante inscrição de uma face positiva no medo do desconhecido, presente desde o primeiro ano de vida…

criativa tonificação de todos os motores de busca de conhecimento e de sensibilidade, com particular significado nas questões de Saúde/Doença.

 

Presumo que a ocultação dos genitais femininos, pela posição erecta determinada,  contribuiu muitíssimo para exercitar, vincar e  ampliar essa misteriosidade no interior de cada um.

O(a)s Sapiens corporizaram-na, na sua irreprimível cogitação sobre as diferenças entre homens e mulheres, por entre erotismos, conflitos, negações, domínios, (in)satisfações, competições, omnipotências e destruições, sempre em horizontes pessoalizados.

 

Na luta pelo melhor pedaço, ele(a)s amam-se e odeiam-se, acariciam-se e destroem-se, idealizam-se e sonham-se, num quantitativo muito superior ao da sua própria capacidade de execução.

Foi nessa impossibilidade que dualizaram corpo/mente e disso fizeram a primeira grande “cura”… cura rapidamente tornada insuficiente pelos esfacelos nos pés e pela realística verificação das repetitivas feridas, lágrimas e disfunções.

 

Para se tratarem inventaram as medicinas

Para se compensarem  inventaram as religiões

Para se acautelarem inventaram as instituições

Para se engrandecerem inventaram os dinheiros

… não havendo pessoas nem povos que tais invenções dispensem.

 

“O corpo sabe”, sente, participa em tudo isso, na sua permanente busca de bem estar.

Anular o tempo interno e a subjectividade retira-lhe acesso á misteriosidade e à capacidade inventiva.

Bloqueia-lhe o prazer de funcionar, fermentando depressividade e doença.

 

A doença isola e condensa a depressividade instalada no sujeito,  num processo útil porque lhe preserva a capacidade de funcionar.

Não será uma ruína, em princípio.

Será uma “solução”. A solução possível para depressividades não convertíveis em depressão.

Mata um pouco para não morrer, jamais havendo doenças  “sem razão”.

 

Sabendo-se que milhões de células cancerígenas por todos os corpos vagueiam e só nalguns se fixam

Sabendo-se que milhões de bactérias por todos os corpos circulam e só alguns se infectam

Sabendo-se que milhões de atropelos imunitários em todos os corpos acontecem e só alguns se vitimizam

Sabendo-se que milhões de sofrimentos em todos os corpos existem e só alguns se adoecem

Quem devemos então interrogar e de que forma?

 

Não serão umas quantas superficialidades, ditas neuro psicológicas, que satisfarão tais interrogações.

Há muitíssimas funcionalidades inacessíveis a químicas tecnocêntricas e a esquematizações informáticas. Todos os robots e todos os parafusos gozam de perfeita saúde: basta-lhes azeite nas dobradiças.

Só com novos conceitos e novas formas de investigação as poderemos abordar, porque todas as doenças transportam benefícios (primários e secundários) que o furor científico não admite nem compreende.

 

Os cérebros de Jesus Cristo, Einstein e Hitler em nada seriam diferentes, em minha opinião. Tal como o seu coração.

A diferença não virá daí.

Virá da composição da “água” e do singular arquivo que ao recipiente  deu forma.

Se mudassem de percurso (com 20% de genética), mudariam de calibre.

 

Aos fundamentalistas das neuro-ciências lembraria que quem pensou e escreveu este texto não foi o meu cérebro.

Fui eu, embora sem ele não o pudesse ter feito.

 

Porto

Outubro de 2018

                                                           

Jaime Milheiro  (Psicanalista Ensaísta)

 

 

Publicações e Artigos / Oncologia de Cabeça e Pescoço: enquadramento epidemiológico e clínico na avaliação da Qualidade de Vida Relacionada com a Saúde


    Oncologia de Cabeça e Pescoço


A importância das doenças oncológicas como causa de morbilidade e mortalidade está em crescimento, sendo reconhecido o seu impacto social e peso global pelos custos económicos e sociais envolvidos na sua prevenção, tratamento e reabilitação. As patologias oncológicas de cabeça e pescoço representam um dos seis tumores malignos mais prevalentes em todo o mundo, com um valor estimado de 900.000 novos casos diagnosticados anualmente em escala mundial.

Estes doentes oncológicos apresentam deterioração de funções básicas que, quando percepcionadas, têm impacto negativo na sua Qualidade de Vida.

 

Publicações e Artigos / INTELIGÊNCIAS CONTAMINADAS (… “ser humano morreu”… )

 

Precisamos de inteligências que não se deixem avassalar pelos cientismos tecnológicos e que mantenham uma total disponibilidade para pensar os vários ângulos das ciências humanas

(sobretudo as ciências médicas…)

evitando que laboratórios e botões tomem conta da cidadela e “cientificamente” transformem os seres humanos em esqueletos informáticos.

As investigações medico-científicas trouxeram-nos um fabuloso acervo de conhecimentos e benefícios. Alteraram culturas, dinamizaram civilizações, encantaram futuros.

Mas também limitaram o que sentimos e o que mentalmente organizamos, induzindo biologismos totalizáveis e subjectividades descartáveis. Frequentemente tal desencadeiam, mesmo sem referências abertas, quando supõem os seres humanos a funcionar como aqueles robots apalhaçados que na Web Summit tanto êxito obtiveram.

Nada reconhecendo de intrinsecamente pessoal, matematizando, tecnologizando, materializando, na atitude primária de quem julga através de imagens e pensa através de algoritmos, tais cientismos contaminaram práticas e conceptualizações

(todos os robots gozam de perfeita Saúde…

se as articulações enferrujam, eficazes almotolias de imediato as lubrificam…)

esquecidos das  particularidades e das complexidades de cada um.

Cada H. Sapiens funciona (sempre) segundo a sua história, a sua memória e os seus sentimentos. Inscreve no corpo as respostas do seu percurso.

Ele é único, na sua interioridade. Jamais funciona apenas no que os laboratórios revelam, mesmo em quânticos detalhes. Menos ainda em tecnicidades ou circuitos preformados, apesar dos aplausos duma certa (in)cultura que em tais planetas exalta uma  Medicina empobrecida.

Inteligência é a capacidade de avaliar pensamentos interpretativos em conjuntos não bloqueados.

Promove escolhas, busca o desconhecido (misteriosidade), mobiliza o melhor que somos. Faz-nos perceber que o azul da água faz parte da água, mas é susceptível de contaminação nas prolongadas ausências do concretismo.

Pode gerar nichos tão cientificamente informados que estupidifica a saúde/doença, o bem estar/mal estar, a dor/tratamento, numa atitude completamente desenquadrada de quem sofre e nos procura

(a inteligência pura, inteiramente livre, não existe…  

mas a clínica impõe um certo grau de pureza sobre as particularidades de cada  um…)

prometendo evidências em números, dados laboratoriais e “papers” epocais.

Tal deriva a si própria se esgota, porque desfoca o que somos e  a espécie a que pertencemos. Numa imaginação de botões em vez de pessoas e numa propagação de sistemas em vez de relações, propõe caminhos onde o acto médico, por mais necessitado de informação que seja, jamais poderá sentar-se

(há inúmeras práticas  contaminadas nos motivos, nos alcances, nos fins…

há práticas onde papeis de música passam por musicalidade, ou, pior ainda,  onde se nega a existência da própria musicalidade…

há práticas que transformam  mecanismos fóbicos em comportamentos   de aparência médica…)

sendo urgente descontaminar a “inteligência da ciência médica” no ensino, na profissão, nas instituições, na comunicação social.

É urgente respeitar o doente e a relação que com ele estabelecemos, antes que alguém… todos… nos digam:

Na Medicina… o ser humano morreu.

 

PORTO

Novembro 2017   

                                                   Jaime Milheiro

(Psicanalista Ensaísta)